sábado, 1 de novembro de 2014

Magia, Tarô/Cartomancia, eletricidade e método científico.

Dizer que algo não é possível com o Tarô – ou com qualquer outro instrumento psíquico – é uma falácia usual. Circunscrita [com ressalvas] sua área de atuação em divinações e perspectivas terapêuticas, vejo soar improvável a perspectiva de utilização da ferramenta na magia ritual ou mesmo em práticas não usuais, como contato com outros planos. Não é porque algo não funciona para você que esse algo não funcione, oras. É como afirmar que lentes de contato não funcionam só porque você não tem um problema de vista que se corrija com lentes.
O problema não está nas lentes. O problema não está nos seus olhos. A relação entre um e outro é que é problemática.
Em termos de magia – que nada mais é que uma grande metáfora da criação aplicada num plano menor – o Tarô é um instrumento como outro qualquer. Vai funcionar para uns, não irá para os demais passar de um instrumento de adivinhação, e ainda terão aqueles que verão ali só um baralho diferente. Todos estão certos, nem todos experimentarão a melhor parte da brincadeira, mas... quem disse que tem que ter a melhor parte para ficar satisfeito?
Uma dos programas mais bacanas da minha infância era o Mundo de Beakman. Nesse programa, eram feitas, entre outras coisas, uma série de experiências passíveis de serem reproduzidas em casa. Um desses episódios falou sobre o método científico, tendo por referência a eletricidade. 

sdds, Mundo de Beakman.
Resumindo, o acender da lâmpada, a corrente que segue, não é devido à água. Não é o sal. Não é a bateria. Não é a lâmpada. Nem os fios.
O efeito é resultado da combinação de todas essas causas. Bingo. E a água salgada, em especial, é a condutora pela combinação de seus elementos. Bingo, de novo.
Embora o fenômeno elétrico possa ser compreendido à luz das explicações que temos hoje, ela não passou a funcionar porque teve uma explicação, e nem passou a ser interessante por ter uma explicação. Ela foi testada sem entendimento, utilizada e nos testes a explicação se mostrou. Consequência, não causa.
É assim também com a magia. Não faço ideia dos motivos pelos quais a magia funciona. Sei que funciona. Utilizo porque funciona. E testo meus padrões de análise dos efeitos, mensurando os resultados obtidos, mantendo registro do que me foi útil, retificando o restante.

Mas... E quando ela não funciona? 
E para quem ela não funciona?
Significa que ela não existe?

Revejamos nossos conceitos sobre a prática, sobretudo sobre a prática dos outros. Não é porque algo é teu limite que será limite do outro. Mas você só saberá quais são os seus limites... Se você for até o limite. 
Como eu não acredito em coincidências, enquanto buscava a referência para esse texto encontrei essa imagem. Ela resume tudo.



Abraços a todos. E testem seus limites. E atenham-se unicamente a eles. 
São seus limites que dizem quem vocês são.

P.S.: Relendo o texto, percebo que ficou faltando uma ressalva. Eu digo para você testar, você praticar, você ir ao seu limite. Você.

Procurar uma pessoa para efetuar tais viagens em seu nome é outra história. 
Na magia, é sempre melhor seguir os próprios conselhos.

E também não estou dizendo que só porque não posso fazer algo, que esse algo será possível de ser feito. Em magia, quanto mais andamos, mais próximos dos nossos limites estamos. Isso inclui o limite do provável. Na dúvida, aceito o desafio de estar errado - se é provado que estava errado, meus limites se ampliam. 
Ninguém perde por ter limites flexíveis. A perda está em cravar dogmas na pedra. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

III Mesa Redonda de Cartas Ciganas: Eu fui... E eu irei!


Olá pessoal. Acabo de retornar do Rio, onde tive a grata oportunidade de reencontrar queridos e pensar junto questões pertinentes à teoria e prática do Petit Lenormand. Uma das vantagens de participar de eventos como esse é justamente questionar como anda a prática até o momento, e desenvolver novos olhares a partir da experiência dos meus colegas. Como num piquenique, cada um trouxe um acepipe que deglutimos à profusão. Nesse caso, gula é uma virtude! 


Equipe reunida

Ismenia falou-nos sobre a prosperidade. E uma das coisas que mais me marcou em sua fala foi sobre a relação entre Lakshimi [Senhora da Prosperidade] e Sarasvati [Senhora da Sabedoria]: se louvamos uma demais, sem dar atenção à outra, a Deusa preterida fica enciumada e temos problemas com sua área de atuação. Busquemos a sabedoria, não descuidemos de nossa prosperidade. Genial pensar no caráter holístico dessa colocação. Inevitável verificarmos a distância, na Mesa Real, entre um aspecto e outro, a partir dessa análise.


Chris Wolf falou-nos sobre as dádivas da carta 09 e todo o processo socio-histórico ligado ao uso e costume do Ramalhete. Sendo quem é - uma aromaterapeuta sem igual, cujo trabalho não só é recomendado, como referencial [conheça o Alma da Terra. É pura magia. Nada do que eu possa dizer é superior à experiência de utilizar um desses produtos feitos com tamanho acuro na escolha dos aromas e combinação de elementos], saímos mais perfumados de sua fala. E ficou uma questão subjetiva nessa palestra: como nos relacionamos com os elementos do baralho que sobreviveram à mudança dos usos e costumes?

Dalila falou-nos da Casa, a partir da sua experiência como arquiteta e o quanto sua profissão lhe levou a questionar os âmbitos dessa carta. Há limites naquilo que amamos - estamos tão imersos que não vemos horizontes com facilidade. E desta palestra, ficou-nos o questionamento: como podemos, a partir da nossa experiência, ampliar ou restringir o caminho de uma carta nas combinações possíveis? Como podemos, a partir das palavras-chave, aprofundarmo-nos no universo singular de cada uma dessas lâminas, sem perdermo-nos em suas possibilidades, deixando, assim, o oráculo no limiar da ineficácia?

Adriana falou-nos da comunicação, da vivência da carta 27. E, no processo vivencial que se seguiu - recebemos uma carta do baralho de Dona Maria Mulambo, canalizado por Sonia Boechat Salema, e deveríamos escrever uma carta para nós mesmos sobre o assunto ali descrito - eu recebi, justamente, a Carta. Curioso, não? Um universo se descortina para nós, meus queridos leitores. Me aguardem, sem medo. :)

Nunca mais veremos a carta 23 da mesma forma :)

Julia falou-nos sobre o Rato, e, particularmente, saio das palestras da Julia com um nó no cérebro. Um nó bom, que vou desfazendo com prazer enquanto entendo meandros não visitados das cartas encardidas do baralho. Ela tem a singular habilidade de, a partir de conexões claras entre os significados clássicos e a psicologia, deixar-nos com uma visão completamente diferenciada das cartas tidas como ruins. Elas não perdem seu peso, mas recuperam sua função. Deixam de ser indesejadas sine qua non e passam a ser entendidas, ainda que permaneçam indesejadas [eu, hein!].


Tato... Ah, Tato. Tato é um querido que expôs para nós parte da sua jornada pelos caminhos da espiritualidade. Foi um dos momentos mais tocantes do evento, quando participamos da vivência proposta por ele. Lágrimas e mais lágrimas, de gratidão e experiência.



Chega então a palestra de Katja Bastos. Encontrar o casal Bastos é sempre uma honra e um reconhecimento para mim. Tive a oportunidade de conversar um bocado com ambos, e muita coisa fez sentido. É maravilhoso quando nos reconhecemos nos outros. E nesse caso, que reconhecimento mais honrado e mais maravilhoso. Estar com a Katja é estar em casa.
Um dos pontos altos de sua fala foi o fato de que ela considera o oráculo um resgate. Aconselhar, oferecer luz e esclarecimento para as situações que o consulente traz, é curar partes de nós que buscaram esse mesmo alento, é perdoar a si mesmo pelas vezes em que deixou-se esvair a oportunidade de ser uma pessoa melhor.



Ao fim de sua palestra, à exemplo de Adriana, Katja ofereceu-nos uma carta e interpretou, uma a uma [confira no vídeo acima]. A mim coube a Montanha. Kaô, Kabecilê.
Nem preciso dizer o quanto que sua fala me tocou. 


Eu sou suspeitaço para falar do Alexsander. Rasgo seda de cima abaixo. Nesse caso, algodão :) Um aprofundamento numa das cartas mais belas e desejadas do baralho, com toda uma visão histórica, iconográfica e hagiográfica, desmistificando possíveis significados agregados pelo tempo, não pela imagem. Novas palavras-chave se delineiam, a partir de uma leitura acurada: se o Ramalhete é uma dádiva, o Lírio é um milagre.
Pensa rápido.


Victor trouxe-nos uma visão muito precisa e direcionada do processo de obsessão e dos contatos e conexões entre este e o outro mundo, demonstrando acuro, comprometimento e conhecimento do tema. Te cuida, Constantine! :)

Falar de Sonia Boechat, para mim, é falar de parte do meu coração que bate em outro peito. Até mesmo nossos temas, esse ano, mantiveram um diálogo tão integrado que praticamente falamos as mesmas coisas, em aspectos micro e macro. Afinal de contas, uma Mesa Real é nada mais nada menos que 12 combinações de 3 cartas, sem se repetir :) . É sempre um deleite ouvir essa Cigana de presença marcante. Qualquer tempo com ela é tempo que vale a pena. É dar sentido à jornada.
Um dos pontos altos da sua palestra foi a questão da carta oculta. À exemplo dos pitacos que vemos em diversos grupos no Facebook, vemos, sobretudo quando a interpretação da combinação de cartas à frente não agrada o leitor. Lembra quando éramos crianças e, não contentes com o resultado de um certame, pedíamos a neguinha? Pois bem, agora o tal pedido é pela tal da carta oculta. Tenha paciência, dó ou o que quer que seja. Um jogo funciona pelo limite oferecido pelo método, diluir esse limite para aproximar-se de algo palatável não faz o prognóstico melhor. 


De mãos dadas com a Sonia, atento aos limites da interpretação, falei sobre a Mesa Real, a leitura das colunas e das linhas. De forma vivencial, abri uma Mesa no chão [à maneira do ano passado, quando falei dos naipes. Estou ficando especialista nisso! Vamos pro chão, minha gente! :) ] e fomos, participantes e eu, delineando que conselhos seriam possíveis a partir das relações entre Carta Diagnóstico e Carta Testemunha na Mesa Real. Foi extremamente gratificante perceber que o que eu vivencio ecoou no coração dos participantes. E isso me tocou a ponto de reconhecer que precisamos conversar mais sobre isso por aqui.

Luqiam fechou o evento deleitando-nos com uma leitura do Urso a partir de seus hábitos e comportamento, das suas relações com os homens e com o habitat. Um universo de perspectivas adveio daí. E irão dar pano para manga por aqui. :)

Percebam o quanto esse evento é amplo. Teoria, prática, vivência, experiência. Tudo junto, misturado e suavemente concedido no tom de voz de quem está numa Conversa Cartomântica. Com esse pessoal, eu estou em casa.



Gostaria de agradecer aqui à idealizadora do evento e mantenedora desta egrégora, Tânia Durão [Finalmente tivemos tempo de cuidarmo-nos, não foi? :)] Se não fosse seus esforços, sua capacidade de estar no 220 o tempo todo, não teríamos essa sensação tão forte de pertencimento e gratidão. E, a cada evento, mensuro como estou e me preparo para oferecer mais no ano seguinte. Me aguardem!



Quero agradecer também a todos os participantes. Todos aqueles que confiaram na proposta e estiveram conosco nessa jornada. A cada evento, vamos mais longe, mais fundo, mais para dentro do oráculo, da teoria, da prática, da vivência. Aguardamos vocês no próximo, em junho!



E já temos webnário marcado! Dia 8 de novembro, teremos as informações pertinentes sobre a a agenda do Cartas Ciganas! Estamos juntos!



Abraços a todos. Até o próximo evento, a próxima viagem, o próximo estudo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

III Mesa Redonda de Cartas Ciganas: EU VOU!


Olá pessoal. Já estou na contagem regressiva para minha chegada no Rio de Janeiro - ansiedade define. Estarei, nesse sábado, entre alguns dos mais importantes exponentes da cartomancia com o Petit Lenormand no Brasil. Será um dia intenso de vivência e experiência compartilhada no trato com as cartas. Algo único. 
Estarei dissertando sobre a Mesa Real - também conhecida como Grand Tableau - e suas possibilidades. São doze anos de prática, à disposição dos participantes.
O que é um método? Qual é a funcionalidade de um método? Como utilizar a Mesa Real, conforme proposta por Katja e Cesar Bastos em seu Tarô Cigano? [ à propósito, Katja Bastos estará entre nós!]
Como ler as linhas e colunas e propor atribuições? Como prever o tempo, a partir da Carta Testemunha? Tudo isso e muito mais veremos em minha palestra. 
Além disso, terei oito livros Conversas Cartomânticas: da escolha do baralho ao encerramento da consulta à venda (os demais já foram reservados). Autografarei os que forem adquiridos no evento.
Aguardo vocês lá. Será um prazer batermos um papo, termos uma Conversa, sempre Cartomântica.
Abraços a todos, e cobrarei cada abraço pessoalmente.